Antiguidades em Portugal: Feira da Ladra em Lisboa

Cidade encantadora e, mesmo que você fosse nativo, eu duvidaria que conhece todas as belezas que a cidade guarda. Lisboa é, na verdade, uma cidade que não para de me surpreender. Como o  objetivo aqui é outro, vamos ao que interessa: a Feira da Ladra.

Existe desde o século 13 e já esteve em vários lugares da cidade. Há tempos, está agora situada no imenso Campo de Santa Clara, facilmente acessível por todas as formas de transportes existentes em Lisboa (ônibus, bonde, táxi).

Para mim, a melhor forma de acesso é a pé, uma vez que é próximo do centro e o caminho é cheio de surpresas: há vários antiquários ao longo do caminho e que se intensificam próximo a Sé até as imediações do início (para outros é o fim) da feira (o Arco de São Vicente). A feira se estenderá até o campo de Santa Clara (outros preferem dizer que o inicio da feira é aqui).

Feira da Ladra
Feira da Ladra – Foto de Carlos Luis M C da Cruz

Feira da Ladra em Lisboa

Praticamente tudo o que você imaginar estará a venda ali: desde roupas novas, passando pelas usadas, até objetos que você nunca viu na vida. Milhões de quinquilharias e velharias se esparramam por esta vasta área, um pouco desordenada, uma vez que o ingresso de vendedores é livre.

Os objetos estão em estandes, pendurados, no chão e onde mais você possa imaginar. Não há uma ordem que eu poderia aconselhar a você começar a trilha-la. O ideal é que você visualize alguns postos-chave e se guiar por eles, como forma de não repetir caminhos.  Eu, particularmente, me treinei em enxergar só o que me interessa e vou direto a isso.

É como fazer uma barreira visual: objetos fora de interesse não são vistos.

A proposito, a feira acontece as terças e aos sábados. Os vendedores fixos sempre estarão por lá. As novidades ficam por conta daqueles que vendem esporadicamente seus pertences. Leve o nome da feira (da Ladra) a sério: conta a historia que a origem dos objetos segue a ortodoxia do seu nome.

feira de antiguidades

Estes objetos que estão a venda neste tipo de feira encontrarão compradores, conforme os critérios de seleção de cada um. O que é interessante pra mim, certamente não é pra você. O que você acha bonito, possivelmente eu não ache. A dica: foque naquilo que você gosta, não vá a este tipo de feira para comprar algo para outra pessoa: é difícil e cansativo.

Centre a sua atenção em um tipo de objeto (no máximo, três). Nos últimos tempos, eu só enxergo objetos sacros (em primeiro), cristais (em segundo) e porcelanas (em terceiro). Pare só quando avistar algo do seu interesse, pergunte o preço e inicie o processo de pechincha (como eu já disse aqui, isto faz parte do ritual): se for algo do tipo “eu não posso ficar sem isso” leve logo, pois a chance de não encontra-lo depois de uma volta, aqui, é grande. Está em dúvida? Siga adiante e não leve. Afinal, há muita coisa a ser vista.

Se você é do tipo que gosta de antiguidades, certamente saberá fazer a distinção entre o que é velharia, quinquilharia e o que é antiguidade. Isto fará a diferença, uma vez que você, a estas alturas, está dentro de um mar comporto por um mix disso tudo. Existem verdadeiras preciosidades ali no meio e a sua astúcia é que o levará até elas.

Vá na terça e vá no sábado: as “mercadorias” são diferentes a cada dia. Percorra todos os locais que ficam a céu aberto. Certamente você se impressionará com algumas coisas e pelos preços que por elas são pedidos que, algumas vezes, desestimularão o processo de pechincha (acontece muito com vendedores de uma única peça).

feira de antiguidades

Depois que você percorreu toda (mas toda) a feira, então vá  ao Mercado e ao seu entorno, onde estão situados vários antiquários. São, certamente, os que vendem suas peças pelos preços mais acessíveis do que aqueles situados na zona dos antiquários.

Ali é possível encontrar uma profusão de objetos raros e importantes, até porque a historia portuguesas é rica o suficiente para justificar esta profusão. Claro, contente-se com objetos transportáveis, não resolva se apaixonar por um altar de uma igreja do século XIV, impossível de ser carregada e certamente impossível de ser despachada (sim, algumas peças precisam de declaração de procedência, laudo de arquiteto, registros de cartórios e uma infinidade de outras burocracias). Mas tenha certeza que, se a sua busca foi minuciosa e detalhista, você sairá recompensado e se sentindo único.

Eu classificaria os preços ali praticados como um dos mais baratos da Europa e a qualidade das peças de média a alta. Mas como eu falei, isso é pessoal, depende da sua perspicácia e do que você está em busca.

http://feiradaladra.net/pt/

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